5 perguntas para Denise Godinho

Atualmente, as alergias e intolerâncias alimentares são discutidas amplamente por profissionais da saúde como médicos e nutricionistas, chefs de cozinha, influenciadores e outras personalidades relevantes. Com estudos sobre os diferentes tipos de alergias e o avanço das produções industriais de alimentos, é mais fácil encontrar nas prateleiras do mercado alimentos para pessoas com intolerância à lactose ou ao glúten, por exemplo. Mas nem sempre foi assim.

Conversamos com a empresária e chef Denise Godinho, autora da obra Sabor sem glúten, que nos contou como surgiu a ideia de escrever o livro;  deu conselhos para quem tem restrições alimentares, mas não tem familiaridade com a cozinha; além de comentar sobre a importância do acesso a informações acerca das desordens relacionadas ao glúten. Confira:

Por que você sentiu a necessidade de escrever um livro com as receitas que desenvolveu para o João Victor?

R: Nos anos 1990 não encontrávamos nenhum produto sem glúten seguro para comprar. Além disso, tinha que adaptar receitas quase que diariamente, mas só eu conseguia entender os rascunhos e, na minha falta, tudo voltaria à estaca zero. Precisava organizar tudo para que qualquer pessoa que pegasse a receita conseguisse executar para o João Víctor. Então, resolvi presenteá-lo com um livro e ao mesmo tempo ajudar tantas pessoas que tinham a mesma restrição alimentar.

Qual conselho você daria para quem diz que não sabe/ não consegue cozinhar, mas precisa, por ter alguma restrição alimentar?

R: Toda pessoa que tem alguma restrição tem que aprender  pelo menos o básico para sua própria segurança. Então, nunca desista ou ache que está sozinho. Não queira aprender tudo de uma só vez. Procure as redes de apoio, como as Acelbras ou grupos nas redes sociais. Com a troca de experiências, a sua evolução acontecerá dia a dia.

Ao longo do livro você apresenta diversas dicas para as receitas. São como toques de mãe mesmo. Por que você quis inserir essas dicas?

R: A organização é fundamental. Só quem convive com um problema assim sabe das dificuldades diárias: festinhas, lanches de escola, viagens, a organização da despensa e do freezer da casa. Com a correria do dia a dia, não paramos para pensar nas infinitas possibilidades que podem facilitar a nossa rotina. Então, decidi oferecer as dicas baseadas na minha experiência.

Hoje você produz conteúdo para informar às pessoas sobre a intolerância ao glúten e para ensinar receitas saborosas sem a substância. Por favor, fale um pouco sobre suas motivações para passar seu conhecimento adiante.

R:  Há mais de 250 sintomas relacionados a sensibilidade, alergia e até mesmo à doença celíaca, e muitas vezes a pessoa não recebe um diagnóstico correto por falta de conhecimento. Para mim, é muito importante difundir as informações que adquiri tanto sobre culinária como sobre as desordens relacionadas ao glúten para o maior número de pessoas possível. Ao longo desses anos, desperdicei muito ingrediente, já fiz muito pão duro, bolo solado, mas não podia desistir. E hoje fico feliz em poder ajudar tanta gente.

Você é formada em Economia. A paixão pela cozinha nasceu com a condição do João Victor ou já existia?

R: A paixão pela cozinha foi o que me salvou! Sempre gostei de cozinhar e isso facilitou muito a compreender a função dos ingredientes dentro da receita para fazer as substituições necessárias. Como não existia referência bibliográfica, livros de receitas nem internet, tive que transformar minha cozinha em um laboratório culinário. Aprendi com meus erros, que não foram poucos. É um eterno aprendizado e a cada dia os pratos ficam melhores.