Vegetarianismo para crianças #3

Dicas para a introdução alimentar da criança vegetariana

As proporções de nutrientes na dieta da criança vegetariana devem ser orientadas por nutricionista ou pelo pediatra durante a prática da puericultura. A seguir, algumas dicas para pensar o cardápio da criança e compô-lo de forma inteligente e funcional.

Priorize o consumo de cereais, leguminosas e gorduras saudáveis em vez de verduras e legumes: a escolha de verduras e legumes na alimentação é sinônimo de escolhas salutares, mas são alimentos de maior volume e com baixa densidade energética. A criança, pela maior necessidade de energia por quilograma de peso e menor capacidade gástrica frente às suas necessidades energéticas, comparativamente ao adulto, necessita, ao adotar uma alimentação vegetariana (especialmente estrita), utilizar menor proporção de verduras e legumes para priorizar o maior consumo de alimentos vegetais de maior densidade energética, como cereais e leguminosas, podendo utilizar oleaginosas e óleo adicionado.

A Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB) orienta que a base dos pratos utilizados na introdução alimentar seja composta por 1/3 de cereais, 1/3 de leguminosas e 1/3 de verduras e legumes. A esses alimentos, deve ser adicionado uma fonte de ômega-3, como óleo de linhaça ou chia, que pode ou não ser misturado ao azeite de oliva, conforme avaliação do pediatra ou nutricionista que acompanha o bebê.

Nessa composição, atingindo-se a necessidade energética da criança, a necessidade proteica é ultrapassada com ampla margem de segurança. Os estudos que mostraram deficiência em crianças vegetarianas ocorreram apenas quando havia restrição de calorias ingeridas, por restrição alimentar, e não pelo fato da proteína utilizada ser de fonte vegetal.

Não restringir em demasiado a ingestão de gordura de boa qualidade: publicações mais antigas apontam grupos vegetarianos que ofereceram aos bebês dietas pobres em gordura, ocasionando redução da densidade energética da dieta e, com isso, aporte calórico insuficiente. Mas produtos de constituição mais concentrada em gorduras saturadas e trans devem ser evitados, como manteiga, requeijão, produtos processados e, no caso da gordura vegetal, a de coco, palma e margarina.

Não há evidências que apontem limitação de conversão do ômega-3 para as suas formas ativas (EPA e DHA) em grupos vegetarianos, mas é importante que haja uma redução da ingestão de ômega-6 e um aumento da ingestão de ômega-3 para que a proporção entre eles favoreça a formação de DHA, elemento importante no desenvolvimento da retina e do sistema nervoso central da criança. Alternativamente, pode ser ofertado o próprio DHA para a criança. A mesma atenção deve ser dada à criança onívora, pois a fonte animal mais concentrada em ômega-3 é o peixe, produto nem sempre utilizado pelas famílias brasileiras.

A SVB orienta que não deve haver restrição de alimentos fonte de gorduras de melhor qualidade (ômega-3, 6 e 9, mas com menor quantidade de ômega-6) na dieta infantil até 2 anos de idade, visando otimizar o aporte energético e oferta de ácidos graxos essenciais. Deve haver sempre a oferta de ômega-3 (linhaça, chia, nozes) ou o uso de DHA oriundo de algas, produto já disponível no mercado brasileiro.

Em outubro, mês das crianças, vamos compartilhar uma série de posts sobre vegetarianismo em pediatria, baseados em um parecer escrito para Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB) pelo Dr. Eric Slywitchrenomado médico nutrólogo com mais de vinte anos de experiência, autor de Alimentação sem carne, Emagreça sem dúvida e Virei vegetariano, e agora?Na semana que vem, encerraremos nossa série com nutrientes que merecem mais atenção. Assine o nosso feed para não perder nenhuma informação e compartilhe a sua opinião nas redes sociais da @editoraalaude.