Vegetarianismo para crianças #1

Sobre a alimentação sem carne na infância

A adoção do vegetarianismo (inclusive estrito, forma em que se abstém do consumo de quaisquer derivados animais, como ovos e laticínios) é uma prática saudável para crianças quando há planejamento alimentar, como deve ser para qualquer tipo de dieta, inclusive onívora.

A literatura científica mostrou problemas de crescimento e desenvolvimento em crianças vegetarianas apenas quando a dieta não era planejada ou prescrita por profissionais de saúde, proporcionando inadequações que, mesmo se houvesse produtos animais ou seus derivados, causaria deficiência. Nesse sentido, em diversos casos, as publicações confundiram vegetarianos com macrobióticos, sistema alimentar que não é necessariamente vegetariano e que tende a apresentar menor densidade energética e maior monotonia alimentar, favorecendo baixa ingestão energética (e consequentemente proteica) para crianças com quadros de seletividade alimentar.

Dentre diversas publicações, um dos estudos publicados apresenta 4 relatos de caso infantis que foram à Corte Inglesa para julgamento por denúncia de desnutrição, apontando a adoção da dieta vegetariana como a causa e sendo considerada uma forma de abuso infantil. Das 4 crianças, em 3 os tutores optaram por seguir com a dieta vegetariana sob supervisão nutricional, o que proporcionou as devidas adequações das condições nutricionais. Isso demonstra que a intervenção nutricional é capaz de trazer plena segurança à adoção do vegetarianismo.

Todos os estudos que mostraram problemas em relação à adoção do vegetarianismo na infância não foram pela exclusão de carne ou laticínios, mas sim por erros alimentares na sua estruturação e que não configuram o sistema alimentar vegetariano planejado.

Os estudos com alimentação planejada (e vitamina B12 suplementada) mostram crescimento e desenvolvimento adequado das crianças vegetarianas/veganas, sem redução da velocidade de crescimento quando comparadas às onívoras, inclusive com excelente quociente de inteligência dessas crianças (que excedeu em 1 ano a média cronológica).

A insegurança na recomendação do vegetarianismo ocorre simplesmente pelo fato dos estudos de revisão reunirem, sem diferenciação, os trabalhos com dieta bem e mal planejada, fazendo com que alguns autores cheguem a resultados contraditórios sobre a sua segurança. A prática do vegetarianismo na infância é endossada por entidades internacionais como a Academia de Nutrição e Dietética Americana, Sociedade Canadense de Pediatria e Sociedade Italiana de Nutrição Humana, por não terem dúvida de que, com o planejamento adequado, ela é segura.

Em outubro, mês das crianças, vamos compartilhar uma série de posts sobre vegetarianismo em pediatria, baseados em um parecer escrito para a Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB) pelo Dr. Eric Slywitch, renomado médico nutrólogo com mais de vinte anos de experiência, autor de Alimentação sem carne, Emagreça sem dúvida e Virei vegetariano, e agora?. Na semana que vem, continuaremos com a série, falando sobre os cuidados que devem ser adotados durante a fase de aleitamento. Assine o nosso feed para não perder nenhuma informação e compartilhe a sua opinião nas redes sociais da @editoraalaude.