Dia das Mães na quarentena

Domingo é Dia das Mães. Há os que gostam de transformar o dia em uma ocasião especial e os que acham que a data é puramente comercial. Há os que perderam a mãe faz tempo e aqueles que ficaram órfãos durante a pandemia, por causa (ou não) do coronavírus. O fato é que, no país todo, muitas mães e filhos estarão separados pelo isolamento social, e a nossa empatia vai para todos os que sentirão um aperto no coração quando o dia amanhecer.

Uma dessas mães é a nutricionista e chef de cozinha Natália Werutsky (no centro da foto acima, com o filho no colo). Ela é autora de Cozinhando em família, um livro repleto de receitas vegetarianas afetivas que costuma preparar para os filhos e também quando recebe os pais e a irmã, Isadora (na foto, à direita), para um almoço, como seria o deste domingo.

Natália compartilhou conosco como está sendo a sua quarentena:

Parecia que estava muito distante. Ouvia-se falar sobre uma doença viral, que estava acometendo chineses, depois italianos, espanhóis e americanos. E então ela chegou ao Brasil.
De uma semana para a outra, nos vimos obrigados a ficar em casa, isolados uns dos outros. As crianças deixaram de ir à escola e ao parquinho, tiveram que se afastar dos avós e amiguinhos. De repente, abraçar, beijar, estar junto, compartilhar, nada disso não era mais adequado nem aconselhável. 
Como tantas mães, me senti aflita e confusa no início, às voltas com uma nova realidade e uma nova rotina para o meu lar. Aqui em casa, somos em cinco: meu marido (que está trabalhando em home office), eu, a Sophia (9 anos), o Lucca (5) e o Davi (1). Como podem imaginar, aqui não tem monotonia, o clima é bem dinâmico e todos temos atividades o dia todo.
Nas primeiras semanas, fiquei exausta, mas depois encontramos um equilíbrio. Todos cooperaram e passamos a nos ajudar. Agora já temos uma rotina e estamos adaptados à quarentena. Acho que o difícil vai ser ficar longe depois que tudo passar.
Percebi que as crianças estão brincando melhor juntas e estão mais tranquilas. Eles amadureceram bastante desde o início deste processo. Estou muito orgulhosa dos meus filhos.
O lado triste é a distância que temos que manter de pessoas queridas, como os avós. Estamos sem vê-los desde o início de março. Acho que nunca fiquei tanto tempo sem ver a minha mãe desde que as crianças nasceram. Estamos tão perto e tão longe ao mesmo tempo…! Mas sei que o mais precisamos neste momento é ter prudência e preservar nossos queridos.
Acho que o segredo é tentar levar este período com leveza, sem deixar o medo tomar conta do nosso pensamento. Sem cobranças, sem sentir culpa ou frustração caso não consiga fazer algo do jeito que gostaria. Algumas coisas ficarão pela metade, outras serão deixadas de lado por falta de tempo, e tudo bem. O mais importante é estarmos bem em casa e com a gente mesma. Vamos nos curtir e aproveitar este momento juntos, enquanto esperamos por dias melhores.

Um jeito que Natália encontrou de matar a saudade da família é preparar uma de suas receitas preferidas, o bolo de mandioca com goiabada e coco. É uma receita que sua mãe, Ruth (na foto, à esquerda), preparou durante toda a infância para o aniversário da filha, e que hoje Natália adaptou para servir aos próprios filhos. De geração em geração, toda a família se delicia com este bolo!

A gente espera que vocês também gostem. #FiqueEmCasa #SalveVidas e #MaisBoloPorFavor.