Mindful eating: à mesa com atenção plena

Vegetarianos e veganos, em geral, já têm certa consciência quando o assunto é alimentação: são mais seletivos na escolha dos produtos, fazem pesquisas sobre as marcas e o processo de fabricação dos alimentos, leem minuciosamente os rótulos e procuram informações sobre os ingredientes. Essa prática vem, é claro, do cuidado para não consumir por engano algo que vá contra suas ideias e seus valores. No início, dedicar tanta atenção é algo trabalhoso, mas com a prática é possível acumular conhecimentos, e estar sempre atento passa a ser um hábito e um prazer.

No entanto, não estamos à salvo da loucura da vida contemporânea – ainda mais nestes tempos de pandemia de coronavírus, que geram uma avalanche de informações para o nosso pobre cérebro processar. Podemos até experimentar um aumento no nível de ansiedade por causa das notícias.

Muitas vezes toda a nossa atenção se restringe ao momento da aquisição dos alimentos e ao seu preparo. O ritmo acelerado e as muitas obrigações costumam fazer com que não nos atentemos ao momento da garfada, isto é, ao ato da alimentação à mesa.

Sendo bem honestos: quem dedica atenção ao que faz à mesa? (Ainda, quem costuma comer à mesa?) No entanto, nutricionistas e pesquisadores já nos alertam há algum tempo sobre os benefícios de comer com calma, saboreando cada garfada e prestando atenção à mastigação – em vez de só mandarmos para dentro qualquer coisa com pressa. Problemas como má digestão, variações no nível de glicose, ganho de peso e desenvolvimento de obesidade e doenças cardiovasculares já foram relacionados ao hábito de comer apressadamente, por exemplo.

É neste cuidado de comer com atenção e pausadamente que o conceito de mindfulness eating entra. Segundo o livro A revolução mindfulness, a “Atenção Plena” ou mindfulness é uma prática meditativa de origem oriental de mais de 2.500 anos que nos ensina à focalizar as experiências do momento presente sem intervenções. Desdobramento dessa prática, o mindfulness eating se estende para o momento da alimentação e nos diz para estarmos plenamente atentos à experiência direta do corpo com a comida e o ato de comer, sem mediá-la através do pensamento, do julgamento ou da racionalização.

O que o movimento prega é concentração total ao que se faz à mesa, sem as nossas interrupções modernas: celulares, televisão ou qualquer barulho circundante em excesso, como o trânsito. Ações como olhar atentamente a comida no prato, respirar conscientemente e com calma, fechar os olhos e sentir sem distrações os sabores são todas maneiras de potencializar nosso envolvimento e presença com o momento da alimentação.

A ideia geral: dedicar reflexão e cuidado a um momento que muitas vezes damos pouco valor devido a sua natureza de ordem comum – assim como o sono e a necessidade de ir ao banheiro, por exemplo – mas que é essencial a nossa saúde e ao bom funcionamento do corpo e da mente. Nestes tempos de quarentena, é uma pausa muito bem-vinda para o nosso corpo e a nossa mente.