Minha filha virou vegetariana. E agora?

Em 15 de outubro de 1995 foi ao ar um episódio histórico do desenho animado Os Simpsons. Nesse dia, Lisa, a filha do meio do casal Homer e Marge, tornou-se vegetariana. Depois de se encantar com uma ovelha, Lisa começa a questionar o consumo de carne e decide nunca mais colocar um animal em seu prato. A decisão causa alguns transtornos, e Lisa acaba brigando com a família e fugindo de casa.

De lá para cá, o vegetarianismo só fez crescer, e é cada vez mais comum encontrar crianças e adolescentes que decidem parar de comer carne. Foi o que aconteceu com a gaúcha Larissa Lima, 16 anos. O pai, o biólogo Paulo Lima, conta que eles já vinham conversando sobre o assunto e que apoia a filha, embora sempre discuta com ela os prós e os contras dessa decisão. Ela faz acompanhamento com uma nutricionista, que põe muita ênfase no consumo de proteínas vegetais, e está perfeitamente saudável. Segundo Paulo, a escolha pelo vegetarianismo não causou muito impacto na sua rotina. “Como gosto de cozinhar, normal. Algumas pequenas mudanças apenas. Por exemplo, quanto faço feijão ou lentilha, tenho o cuidado de separar a parte da Lari antes de colocar bacon, charque, etc.” Mas ele passou a perceber o preconceito contra os vegetarianos: “Aquelas piadinhas do tipo ‘mas nem um franguinho tu comes?’. Por outro lado, é interessante ver como tem aumentado esta corrente vegetariana/vegana entre os adolescentes”.

Na casa da paulistana Luana a história é parecida. Aos 10 anos ela decidiu se tornar vegetariana porque tinha pena dos animais. Embora surpresos, os pais respeitaram a decisão. “A gente gosta de carne, mas eu sempre achei a decisão dela sábia, evoluída até. Só não consigo fazer”, diz a mãe, a jornalista Alice Sosnowski. A família consultou uma médica, que pediu que Luana ao menos comesse peixe. E assim ela fez até os 12 anos. Faz 9 meses que não come mais carne nenhuma. Exames recentes mostram que ela está muito bem de saúde.

Mas nem sempre é assim. Há quem acredite ser possível viver à base de batata frita, bolinho de arroz e pastel de palmito – ou de junk food vegana industrializada. Se for essa a ideia da criança ou do adolescente, os pais precisam intervir com firmeza. A dieta vegetariana pode ser muito saudável, desde que inclua todos os macro e os micronutrientes. E isso quer dizer arroz, feijão, lentilha, verduras, frutas, legumes e castanhas. Quem se decide pelo ovolactovegetarianismo pode ainda consumir ovos e laticínios.

Assim, se o seu filho decidir parar de comer carne, não se desespere. Acolha-o, respeite-o e converse com ele. Leve-o a um médico e a um nutricionista. Tracem juntos um plano alimentar. Essa pode ser uma boa maneira de ajudá-lo a desenvolver o cuidado com a própria saúde e de melhorar a dieta da família toda. Segundo o Ministério da Saúde, ninguém deveria comer mais de 500 g de carne vermelha POR SEMANA! Comer menos produtos de origem animal é, portanto, uma atitude realmente sensata.